HPV como exame primário: por que os resultados do rastreamento mudaram

Nos últimos meses, médicos e laboratórios parceiros nos trouxeram uma percepção recorrente: os laudos do rastreamento do câncer do colo de útero “parecem diferentes”, se observa menos citologia alterada do que se esperaria para casos de infecção de HPV alto rsco. Porém o rastreamento foi implementado com este objetivo , detectar na biologia molecular a infecção antes de qualquer alteração celular da citologia. O intuito é prevenção.

O que mudou na normativa

O câncer do colo do útero é um dos poucos tipos de câncer que podem ser prevenidos por meio de um rastreamento eficiente. Sabemos hoje que praticamente todos os casos estão relacionados à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano, o HPV. Com base nas evidências científicas mais recentes e em recomendação da Organização Mundial da Saúde, o Ministério da Saúde publicou, em 2025, as novas Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero.

A principal mudança: o teste molecular para detecção do DNA do HPV oncogênico passou a ser o exame primário de rastreamento, substituindo gradualmente a citologia (Papanicolau) nessa função. A citologia não desaparece: ela assume um novo papel, como exame reflexo, aplicado apenas em situações específicas.

Como funciona o novo fluxo

O rastreamento passa a começar pelo teste molecular de HPV, e a conduta seguinte depende do resultado:

HPV 16 ou 18 positivo, como são os genótipos de maior risco, a paciente é, portanto, encaminhada diretamente para a colposcopia. Esse grupo não passa pela citologia.

Nos demais tipos de HPV de alto risco positivos, realiza-se a citologia reflexa, processada na mesma amostra do teste molecular, sem necessidade de nova coleta. Se a citologia estiver alterada, a paciente também segue para colposcopia.

Teste negativo — a paciente retorna ao rastreamento de rotina, com intervalos maiores entre as coletas.

Por que a citologia mudou de cara

Antes, a citologia era o exame primário, realizada em todas as pacientes. Agora, ela é feita apenas no subgrupo positivo para HPV de alto risco diferentes do 16 e do 18. Isso tem duas consequências diretas.

Primeiro, o volume de citologias cai, porque só uma parcela das pacientes chega a esse exame. Segundo, esse subgrupo tem, por definição, menor risco imediato de lesões de alto grau, justamente porque os genótipos mais agressivos, 16 e 18, foram encaminhados diretamente à colposcopia e não passam pela citologia.

Ou seja: menos citologia alterada não significa menor capacidade de detecção. Significa que os casos de maior risco estão sendo identificados mais cedo, por uma via mais sensível, enquanto a citologia é usada de forma mais direcionada. É a estratificação de risco funcionando exatamente como as diretrizes previram.

A integração entre Biologia Molecular e Citopatologia no Mercomax

Para operacionalizar esse fluxo, o Mercomax estruturou um processo integrado entre a Biologia Molecular e a Citopatologia. Na prática, isso significa que a citologia reflexa é processada na mesma amostra coletada para o teste molecular, sem necessidade de nova coleta.

O ganho é triplo: mais agilidade no processo, menos perda de seguimento e mais segurança tanto para o médico quanto para a paciente. O Mercomax foi um dos primeiros laboratórios da região a implementar o fluxo conforme as novas diretrizes nacionais, o que permitiu acompanhar de perto os desfechos desde o início e confirmar, na prática, os benefícios descritos na literatura.

O que os dados mostram

Os resultados observados são consistentes com o comportamento esperado pelas diretrizes. Como os casos de HPV 16 e 18 seguem direto para a colposcopia, a citologia reflexa concentra-se nas pacientes de menor risco imediato, o que reforça seu uso mais eficiente e direcionado.

Vale a transparência: os dados brasileiros ainda são preliminares. Ao longo do próximo ano, com mais volume, será possível consolidar os percentuais por categoria e acompanhar a evolução dos casos. A estratégia em si, no entanto, já está validada pela literatura científica internacional e alinhada às melhores práticas globais.

Perguntas frequentes

Recebi um resultado positivo para HPV sem citologia. Isso está correto? Se o resultado for positivo para HPV 16 ou 18, sim. Esse grupo é encaminhado diretamente para a colposcopia, e a citologia não é realizada. É o que preconiza o novo fluxo.

Por que duas pacientes positivas para HPV tiveram condutas diferentes? Porque a conduta depende do genótipo. Positivas para 16 ou 18 vão direto para colposcopia; positivas para os demais tipos de alto risco realizam a citologia reflexa.

A citologia reflexa exige uma nova coleta? Não. Ela é processada na mesma amostra utilizada para o teste molecular.

Estou observando menos citologias alteradas. Houve queda na detecção? Não. A citologia passou a ser feita em um grupo menor e de menor risco imediato, já que os casos mais graves são encaminhados diretamente à colposcopia. A detecção dos casos de maior risco, na verdade, acontece mais cedo.

Uma evolução no cuidado

Estamos diante de uma das mudanças mais importantes no rastreamento do câncer do colo do útero em décadas. O objetivo permanece o mesmo: diagnosticar mais cedo, tratar precocemente e reduzir a incidência e a mortalidade pela doença, mas o caminho ficou mais preciso e baseado em evidências.

Se um laudo gerar dúvida, a equipe de Biologia Molecular do Mercomax está à disposição para discutir cada caso.

Assista à entrevista completa com a Dra. Maristela Ocampos AQUI .


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